>"VERANO DE AMOR" (México, 2009) – Resenha crítica

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(Felipe Brandão)

Verano de Amor é produzida por Pedro Damián, o mesmo do sucesso Rebelde (SBT / Boomerang). O folhetim mexicano é uma adaptação da aclamada obra argentina Verano del 98 (Telefe, 1998-2000), que por sua vez se baseia no início de Dawson’s Creek (EUA, 1998). Uma história de amor e drama adolescente que, apesar de contar no elenco principal com a cantora Dulce María, da banda RBD, amargou baixíssimos índices de audiência na TV local e acabou terminando com míseros 120 episódios.

O programa apresentou uma proposta interessante em seus primeiros capítulos, mantendo aquele tom bucólico, sincero e algo melancólico herdado das obras originais. Verde que era um tanto estranho ver jovens de mais de 20 anos, como Dulce María e seus companheiros, representando papeis de adolescentes, mas isso é mais ou menos explicado por uma situação de bastidores – Verano del 98 foi escrito pela autora argentina em paralelo com o quarto ano de Chiquititas, daí a semelhança de temáticas. Teria sido um mero detalhe, se problemas maiores (e irreversíveis) não surgissem em seguida.

Ao invés de investir na ação e na emoção que a sinopse original tornava propícias, Damián recheou sua novela com cenas de humor patéticas e apelativas, com o único intuito de atrasar o desenvolvimento da história e assim garantir a produção de mais capítulos – técnica que deu mais ou menos certo em Rebelde. Verano de Amor se tornou uma espécie de Malhação mexicana, só que mais vulgarizada e mais sem história – e a audiência, é claro, respondeu à altura.

Felizmente, a equipe percebeu o equívoco a tempo de promover uma reviravolta e salvar a qualidade do produto. Verano voltou a investir naquilo que sempre deveria ter sido seu foco, o avanço do enredo, e o desempenho da novela melhorou notavelmente. Isto é, ao menos para a crítica; no Ibope, os números continuavam baixos. Independente disso, Verano de Amor apresentou-se como uma trama cheia de intrigas, romances, revelações e ação, ingredientes indispensáveis à qualquer novela. Destaque para o casal Dylan e Zoé, os quais, vividos pelos ótimos Brandon Peniche e Cristina Masón, foram a sensação da trama, com a velha história dos amigos de infância que se apaixonam ao entrarem na adolescência.

Por volta do capítulo 80, a atração passa novamente por mudanças drásticas, inaugurando uma “nova fase” – com direito a nova abertura e novo tema musical. A partir daí, os personagens de Dulce María (Miranda) e Gonzalo García (Mauro) são promovidos a protagonistas, coisa que já era prometida para Dulce desde a pré-produção, mas que só aconteceu efetivamente agora. Já Dylan e Zoé, os protagonistas originais, foram delegados a segundo plano, e ainda assim com bem menos história do que antes. É notório também o quanto o texto de Miranda e Mauro, antes leve e romântico, torna-se mais melodramático – talvez a intenção fosse repetir o sucesso de Maite Perroni (também ex-RBD) no dramalhão Cuidado con el Ángel (Televisa, 2008).

Uma ala de Verano de Amor que sempre esteve alta foi o núcleo protagônico adulto, encabeçado pelo casal Dante (Mark Tacher) e Flora (Victoria Díaz). Até mesmo durante aquele início péssimo, a ala referente ao romance deles foi poupada da catástrofe em que o núcleo juvenil estava se transformando. Os mistérios envolvendo Dante, as indecisões amorosas de Flora, mais o impasse entre ser amante de Othón (Juan Ferrara) e amiga da mulher dele, Sofía (Lola Merino), constituíram sempre um pólo de atração forte para a novela. Mesmo durante a tal “segunda fase”, quando grande parte do quadro desandou, o núcleo de Dante e Flora só ganhou incrementos inesperados que o tornaram ainda mais interessante. Foi, enfim, um bote salva-vidas no enredo enquanto outros núcleos naufragavam.

O elenco teve seus altos e baixos. A própria Victoria Díaz foi uma grata surpresa para a novela. Ela provou ser muito mais do que a esposa do produtor Pedro Damián e desbancou qualquer preconceito ou boato quanto à natureza de sua escalação. Seu par, Mark Tacher, esteve impecável como Dante, papel que lhe caiu como uma luva. Dulce María, mais que competente, foi digna: apesar de todo o marketing de que foi alvo na divulgação da novela, sua atuação sempre esteve nos tons acertados às várias fases de sua personagem. Gonzalo García começou bastante fraco, mas aos poucos acertou o tom de sua atuação como Mauro – a diferença de Pablo Lyle, sempre carente de expressão em seu co-protagônico Baldomero. Vale ressaltar ainda o desempenho dos consagrados Juan Ferrara (como o terrível vilão Othón Villalba) e Enrique Rocha (apesar do papel pequeno), e das novatas Karla Souza (Dana), María Elisa Camargo (Isabela) e Andrea Damián (Milena).

Na contrapartida, lamenta-se o desperdício de Natasha Dupeyrón (A Outra) e Iago Muñoz como os pretensamente cômicos Enzo e Berenice. No começo, suas peripécias até divertiam, mas depois enveredaram para certos exageros que (típicos dos papéis “humorísticos” de Pedro Damián) só os fizeram desagradáveis. A parte em que Berenice se faz passar por sua “prima” Greta, a qual tinha tudo para ser interessante, foi ridícula. Natasha Dupeyrón estava construindo uma carreira sólida na Televisa, mas aceitar fazer Verano de Amor foi para ela um tiro no pé, visto que sua própria interpretação como Berenice deixou a desejar.

Incompreendida por muitos, vítima de suas próprias pretensões, Verano de Amor soube dar a volta por cima do início ruim e firmar-se como um produto digno, de qualidade, bem melhor do que as últimas produções de Pedro Damián – Rebelde e Lola, Érase Una Vez (2007). Contando com poucos nomes de peso e trazendo muitos lançamentos, provou que a fama é irrelevante dentro de um elenco que se destaca pelo talento. Seu grande erro foi ter despertado para a realidade do público quando já não havia mais tempo de recuperar os números de audiência…

Sinopse de Verano de Amor

Um verão inesquecível vivenciado por um grupo de jovens no povoado praiano de Tlacotalpan: Dylan, Zoé, Miranda e Baldomero.

Dylan Carrasco é um rapaz de dezesseis anos que sonha em ser cineasta. Apesar da cara-de-pau que é a sua marca, Dylan não tem qualquer experiência com as mulheres, e isso tende a mudar a partir da chegada de Isabela (María Elisa Camargo), uma bela e mimada patricinha da capital. A fascinação por Isabela é tanta, que Dylan estará cada vez mais longe de perceber a paixão que sua melhor amiga, Zoé, nutre desde tempos por ele. Zoé Palma é uma garota vivaz, teimosa e determinada, que vive numa casa simples com a meia-irmã, Flora, que está grávida. Fechada para o amor, Zoé percebe tarde demais o que sente por Dylan, e é obrigada a escutar as dores de amores de seu grande amor por outra…

Miranda Perea é a menina mais saidinha e irreverente do quarteto. Seu irmão mais velho, Baldomero, trabalha numa loja de discos para ajudar a família, e almeja ser um astro do rock. Ambos terão a vida mudada com a chegada ao local dos Villalba, uma família de milionários da capital. Othón Villalba está se separando da esposa, Sofía (Lola Merino). Miranda a princípio tem uma forte antipatia pelo arrogante Mauro Villalba, mas controversamente acabará vivendo uma grande paixão com o rapaz – a menos que Othón não permita a relação do filho com uma moça pobre. Já Baldomero encanta-se à primeira vista por Sofía, apesar de ela ser mais velha. Carente, Sofía se deixa seduzir pelo rapaz, mas tudo muda quando sua filha Dana (Karla Souza) também se apaixona por Baldomero.

No núcleo adulto, o surgimento do intrigante forasteiro Dante abala as estruturas de Tlacotalpan. Dono de um passado tão misterioso quanto suas motivações em estar ali, Dante apaixona-se por Flora Palma, e acaba esbarrando nos interesses do perigoso Othón Villalba – que termina por ser o pai do filho que a irmã de Zoé espera, e levará sua obsessão em mantê-la a seu lado às últimas conseqüências.

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2 Responses to >"VERANO DE AMOR" (México, 2009) – Resenha crítica

  1. >Não entendo porque dizem que Verano Del '98 foi baseada em Dawson's Creek se as duas estrearam na mesma semana. Cris Morena não teria tempo pra isso

  2. >Então… Na verdade a inspiração de Verano del 98 sobre Dawson's Creek vem da ocasião em q Tomás Yankelevich (executivo da Telefe e ex-marido de Cris Morena) assistiu a uma versão-teste do piloto de Dawson's Creek, qdo a série ainda nem estava em produção. Ao receber o pedido da Telefe por uma série para substituir as férias de Chiquititas, Tomás decidiu que a série seguiria mais ou menos a sinopse de Kevin Williamson.Depois, Dawson's Creek acabou saindo do papel e sendo produzida. Aparentemente, houve acorod entre a Sony e a Telefe qto aos direitos autorais, razão pq jamais houve processo por plágio nesse sentido. O q na verdade é mto bom, pq as semelhanças entre Verano del 98 e Dawson's Creek não tem mais OOONDEEEEE serem evidentes…😀

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