>Resenha: "Viver a Vida"

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(Ana Paula Fanucchi)

Com um roteiro extremamente monótono ao longo de toda sua exibição, a novela Viver a Vida, de Manoel Carlos (Por Amor, Páginas da Vida) teve seu último capitulo exibido em 14 de maio (sexta-feira).

A trama principal – se é que houve trama – girou em torno de uma família com um pai rico e mulherengo, suas três filhas mimadas e sua esposa que quase não teve importância alguma na novela.

Manoel Carlos teve muitas premissas interessantes para abordar em sua novela, como a paralisia de Luciana (Alinne Moraes), as traições de Marcos (José Mayer), a virgindade de Mia (Paloma Bernardi), o crime nas favelas e a excessiva proteção materna de Tereza (Lilia Cabral), porém não soube desenvolver nenhuma delas!

A paralisia foi abordada de uma maneira extremamente didática e entediante. A personagem Luciana nas cenas que precederam o acidente deprimiu não só aos personagens ao seu redor como aos seus telespectadores, salvo alguns momentos de risadas proporcionados por Miguel (Mateus Solano) entre um piada e outra.

O personagem Marcos não tomou jeito durante toda a novela. Sua única abordagem foi a traição, não teve mais nenhuma participação interessante, nem mesmo quando sua filha sofreu o acidente. Já a questão da virgindade foi pouco enfatizada, sendo somente comentada em alguns momentos da novela. O mesmo vale para a criminalidade nas favelas, abordada somente em dois momentos da trama e de uma forma pouco construtiva – na verdade equivocada: a novela deixou a aparência de que toda favela é perigosa para se viver.

A abordagem da proteção materna excessiva foi uma das mais chatas. Tereza só falava e falava, aborrecendo qualquer um que estivesse assistindo a seus monólogos. Não houve iniciativa nenhuma dos personagens ao redor dela para conscientizá-la e só a escutavam com tooooda a paciência – como se alguém na vida real fosse ter tanta paciência assim…

Os gêmeos Miguel e Jorge (interpretados por Mateus Solano), que deveriam ter mais enfoque, foram deixados completamente de lado, atuando somente como coadjuvantes nas tramas de Tereza e Luciana.

Atrevo-me a dizer que o mais interessante dos capítulos era o espaço final, onde pessoas reais contavam seus testemunhos de superação. Destaque para o depoimento do capítulo final, quando o maestro brasileiro João Carlos Martins narrou, emocionado, a trajetória de como superou inúmeros acidentes que tentaram impedi-lo de se dedicar à música, para ser hoje um dos maiores maestros do Brasil. Em seguida, Martins regeu a nona sinfonia de Beethoven para todos os atores e a produção – sem dúvida o melhor momento do insosso folhetim.

Enfim, Viver a Vida só fez com que Passione, de Silvio de Abreu, fosse a novela mais esperada do ano. Culpa de que se isenta o elenco, que com certeza teria atuado melhor se não fosse o péssimo roteiro de Manoel Carlos.

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