>"PRÍNCIPE DA PÉRSIA – AS AREIAS DO TEMPO" – Crítica do filme

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(Felipe Brandão)

Pegando carona no sucesso do game homônimo nos anos 90, Príncipe da Pérsia – As Areias do Tempo supera a estranheza que pode causar no início aos fãs (uma vez que não é inspirado na versão clássica do jogo, mas sim em um spin-off lançado em 2003) e aos poucos cativa tanto o público afoito pelo deja vu de duas décadas atrás quanto aos desavisados que estão a fim apenas de um filme eletrizante. E, nesse ponto, não há de que reclamar no novo longa de Jerry Bruckheimer (Piratas do Caribe), estreado nas salas brasileiras no último 3 de junho.
O “príncipe” das telonas é Dastan (Jake Gyllenhaal, O Segredo de Brokeback Mountain), rapaz intrépido e guerreiro que passou a infância nas ruas, até ser encontrado e adotado pelo rei Sharaman (Ronald Pickup), monarca da Pérsia. Feito príncipe, Dastan é vítima quando adulto de uma emboscada de seu tio, o nobre e invejoso Nizam (Ben Kingsley, Ilha do Medo), que o acusa de ter assassinado o próprio pai adotivo. Dastan se vê obrigado a fugir e, acompanhado da belíssima princesa Tamina (Gemma Arterton, 007 – Quantum of Solace), recém-raptada de um reino vizinho, embarca em uma jornada repleta de perigos e grandes aventuras, entre as quais descobre que as areias do tempo, um artifício mágico que, possuído por Tamina, tem o poder de voltar ao passado e alterá-lo, é perseguido por Nizam como parte principal de seu plano de usurpar o trono do rei.
O papel de herói caiu como uma luva a Jake Gyllenhaal. Ator talentoso, com porte e habilidoso nas sequencias de luta, é difícil associar sua imagem como Dastan ao pastor de ovelhas franzino, frágil e homossexual com que Gyllenhaal se lançou em Brokeback Mountain (2005). Talvez tenha faltado uma química mais explosiva em seu par com a igualmente bela e competente Gemma Arterton. Príncipe da Pérsia destaca-se ainda pelo capricho da produção e da direção, sem falar nos efeitos especiais.

O roteiro é bem delineado, repleto de ação e reviravoltas que, até certo ponto, mantém o público empolgado – mas apresenta falhas notórias. As viradas são tantas que, em determinado momento, começam a cansar o espectador e o levam a ansiar pelo final do filme. Além disso, a exagerada semelhança com elementos da trilogia A Múmia – que vai desde os panos-de-fundo até os arquétipos dos personagens – imprimem um desagradável tom de oportunismo e falta de criatividade da parte dos roteiristas.

Pesem prós e contras, As Areias do Tempo garante uma boa opção de divertimento para aqueles domingos à noite, passados em família ou entre amigos. Para os mais entusiasmados com a produção, fica uma esperança: o jogo de 2003, no qual o filme foi inspirado, fez tanto sucesso que acabou gerando duas continuações. Será que elas também serão levadas aos estúdios de Hollywood? É aguardar para ver.
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