>"TEMPOS MODERNOS" (Globo, 2010) – Resenha crítica

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(Felipe Brandão)

Finalizada há quase dois meses na Globo, Tempos Modernos partiu sem deixar saudades e nem dúvidas do por que ter sido a novela menos vista da faixa das 19h em toda a década. Muitos creditam a baixa aceitação da trama ao cunho experimental com que foi concebida. Temáticas fora do convencional, com quês intelectuais, explorando de modo crítico e aberto a relação do homem com a máquina, as relações de poder e ética, teriam sido “estranhadas” pelo público. Outro ponto criticado foi a referência involuntária a outras produções recentes.
É evidente, porém, que o grande equívoco da atração esteve na verdade no mais tradicional. A sinopse girava em torno do conflito entre Nelinha (Fernanda Vasconcellos) e Zeca (Thiago Rodrigues) ao estarem apaixonados e crerem que são irmãos – um dos clichês mais banais e repetidos nos quase 50 anos de novelas brasileiras. Ainda muito usado, é verdade, mas como parte pequena de um todo, que sustenta o enredo por no máximo algumas semanas – nunca uma trama inteira.
Outro erro foi o núcleo maduro coestelar, encabeçado pelo projeto de anti-herói Leal Cordeiro. Seja pela falta de carisma do próprio personagem, pela interpretação pífia de Antonio Fagundes, ou pelas ridículas referências a seu “reinado” no texto, o fato é que Leal não convenceu o público, e seu triângulo amoroso com Hélia (a sempre ótima Eliane Giardini) e Iolanda (Malu Galli) pegou carona no naufrágio. Tempos Modernos careceu de interesse ainda nas tramas paralelas, como os núcleos bobos da galeria do rock e da clínica de ginecologia. A saída forçada de Vivianne Pasmanter, causa da postergação do romance entre sua Regeane e Portinho (Felipe Camargo), também atrapalhou em muito o andamento da história.
Entretanto, a atração das 7 não colecionou somente deméritos. Teve no geral um bom elenco (apesar de certas exceções), e acertou em cheio no núcleo dos Bodanski, com a divertida intervenção das Marias e a excelente atuação de Regiane Alves (foto) como Goretti Cordeiro. Na ala das vilanias, Marcos Caruso sobressaiu-se com seu Niemann, assim como sua parceira, a estreante Paula Posani (Maureen). Grazi Massafera (Deodora) se destacou em um papel a princípio diferente de tudo o que já fizera; pena que ele depois se aproximasse do rótulo de “mocinha” que a atriz vinha carregando. Em contraponto, tivemos o caso frustrante da boa atriz Priscila Fantin, cuja Nara careceu de destaque como vilã por toda a novela.
Entre clichês, bizarrices, muitos tropeços e alguns acertos, Tempos Modernos tem a razão de seu fracasso concentrada onde mais devia estar seu foco de atração: o enredo.
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