>"OS MERCENÁRIOS" ("The Expendables", EUA, 2010) – Resenha crítica do filme

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(Felipe Brandão)

Confesso que não tinha boas expectativas para o filme. Acreditava que seria mais uma gororoba comercial que Hollywood tentaria me empurrar, regada a muito sangue, tiros e estrelinhas de ação pairando sobre uma história inexistente. Para variar, me enganei: Os Mercenários contém sim esses ingredientes, mas respaldados por uma história eletrizante, defendida por um roteiro irresistível. O que não significa que esteja isento de falhas.
O ator (e diretor do filme) Sylvester Stallone dá vida ao intrépido e casca-grossa Barney Ross, líder de uma equipe de mercenários encarregados de uma arriscada missão: ir à ilha de Vilena, no Golfo do México, para matar o ditador local, General Garza (David Zayas). A partir do momento, porém, em que a equipe chega à ilha, depara-se com uma série de perigos e surpresas com relação à natureza da tarefa, e até mesmo da identidade de seu alvo. Em meio a um quadro tão adverso, surge ainda Sandra (a naturalizada brasileira Giselle Itié, de Bela, a Feia), contato voluntário dos Mercenários em Vilena e que, com seu caráter íntegro e batalhador, somado a uma incomparável forma física, amolecem as convicções e o coração do empedernido Ross.
Os Mercenários surpreende por conter, além da adrenalina e da troca de tiros habituais, um lado dramático bem elaborado e coerente, e um humor afiadíssimo – tudo isso muito bem casado no roteiro de Dave Callaham (Instinto de Vingança). Seus diálogos dão a devida atenção a cada astro da lutalivre que figura no elenco, salvo por certas exceções. A direção e produção estão à altura, com direito a sequências de ação e explosão dignas dos grandes filmes do gênero, como True Lies (James Cameron, 1994), com destaque para os momentos-clímax da ação em Vilena.
Infelizmente, o enredo se perde quando se aproxima do desfecho. A impressão que se tem, assistindo até mais ou menos a metade do filme, é que existe assunto o bastante para garantir umas duas horas de entretenimento – e, para tristeza dos desavisados, a produção termina com insuficientes 90 minutos. Por sorte, a perda não é total: ao menos se garante um final digno ao romance de Sandra e Ross, que, contrariando os anseios do público, mal chega a se desenvolver.
Também se lamenta a participação ínfima de Bruce Willis e Arnold Schwarzenegger, levantando o cacife dos dois astros e seu apelo junto ao público-alvo. Schwarzenegger, por exemplo, aparece em apenas uma única cena, na qual seu personagem recusa a missão na ilha antes de o enigmático Sr. Church (Willis) conferi-la a Stallone e sua equipe.
Eis Os Mercenários: uma bela homenagem, clássica e ao mesmo tempo moderna, aos filmes de ação e pancadaria de Hollywood, segmento que andava tão mal-representado no cinema comercial de ultimamente. Agradará em cheio aos fanáticos da franquia, sem fazer feio diante dos que preferem outros gêneros narrativos. Vale à pena conferir.
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