>"UMA ROSA COM AMOR" (SBT, 2010) – Resenha crítica

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(Felipe Brandão)

Uma Rosa com Amor foi uma novela que se modelou e se superou. Passou por cima de diversos defeitos do início e, pouco a pouco, firmou-se como uma atração divertidíssima, que casava melodrama, humor, romance e ação de maneira eficaz, conquistando o público e elevando os índices de audiência a um patamar satisfatório, coisa que o SBT não via em suas produções nacionais pelo menos desde 2005.
Inúmeros eram os problemas iniciais: a presença de falhas técnicas, como na iluminação, denotava que o alto investimento por capítulo não estava sendo bem empregado. O mais grave, porém, via-se na estrutura do próprio roteiro. A história principal transcorria a passos lentos, sem nada muito empolgante; os capítulos praticamente giravam em torno das fofocas da vizinhança do cortiço sobre a vida de Serafina Rosa (Carla Marins), com direito a diálogos repetitivos e cenas absurdamente longas. Num dos casos mais crônicos, uma cena banalíssima, com Rosa defendendo sua dignidade das fofocas de Catarina (Clarisse Abujamra), chegou a consumir sozinha um bloco de 10 minutos! Nestas condições, o público torceu o nariz e começou a se afastar…
Felizmente, a situação se reverteu. Tiago Santiago deu o braço a torcer e inseriu mais emotividade em sua novela, transformando seus vilões Nara (Mônica Carvalho) e Egídio (Carlo Briani), até então apenas dois picaretas com ares cômicos, em perigosos psicopatas, dispostos a tudo para matar Rosa e “arranjar” o casamento de Nara com o galã Claude (Cláudio Lins). A partir daí, várias tentativas de assassinato passaram a acometer Rosa, movimentando a trama e garantindo muitas sequências de ação. Outras subtramas foram incrementadas, com a transformação de Raquel (Marina Stacciarini) em vilã, os mistérios sobre a origem de Beto (Fábio Rhoden) e a doce paixão de Roberta (Isadora Ribeiro) e Sérgio (André Cursino). O mais interessante, contudo, foi que o autor não deixou de investir no humor leve e caricato, como as trapalhadas de Serafina e as divertidas fofocas da vizinhança do cortiço, criando um quadro agradabilíssimo, equilibrado e raro nas novelas do SBT, que costumam focar mais o melodrama.
Uma Rosa com Amor se destacou ainda por, desde o princípio, apresentar um dos melhores elencos já escalados pela emissora paulista. Carla Marins e Cláudio Lins estiveram soberbos na pele do casal protagonista, Serafina e Claude, com direito a muita química na comédia e no romance. Carlo Briani e Mônica Carvalho igualmente merecem aplausos, como os vilões da trama.
No núcleo coadjuvante, quase todos se sobressaíram: Jussara Freire (hilária como a mal-amada Pepa), Nilton Bicudo (Afrânio), André Cursino, Toni Garrido (Frazão), Lúcia Alves (Joana), Rubens Caribé (Antoninho e Hugo) e mesmo estreantes como Sabrina Petráglia (Terezinha), Fábio Rhoden e Felipe Lima (Mílton) brilharam ante os olhos do espectador que acompanhava a atração. Menções honrosas a Clarisse Abujamra, que teve na viúva negra Catarina seu melhor papel na TV em toda a década, e a Patrícia Dejesus, belíssima e talentosa atriz que só careceu de um maior destaque com sua Alabá.
Logicamente, houve também os deméritos. O núcleo das socialites foi o mais perdido e desnecessário da novela, até pelo desempenho das intérpretes. A única boa atriz ali era Ana Carolina Lima (Ercy). Luciana Vendramini jamais conseguiu passar segurança em cena, apagada que estava em sua Ninica. Já Gisele Fraga (Alzira) abusou de olhos esbugalhados e outros exageros nas cenas que retratavam o transtorno bipolar da personagem, passando de modo pífio uma mensagem tão séria. Outra que deixou a desejar foi Isadora Ribeiro, que insiste em imprimir o mesmo ar blasé a todas suas últimas personagens, como a Vera de Donas de Casa Desesperadas (RedeTV!, 2007).
Um dos casos mais sérios se detectou na trama principal: o amor de Claude e Serafina demorou muito para se materializar, só acontecendo de fato nos últimos capítulos de Uma Rosa. Outras subtramas também se aceleraram na reta final, provavelmente resultado do encurtamento abrupto do programa, a pedido da própria direção do SBT.
Uma Rosa com Amor foi um produto que valeu muito à pena assistir, a maior prova de amadurecimento da teledramaturgia do SBT até agora. Resta ver o que nos espera, a partir de novembro, na nova trama da emissora, Corações Feridos, de Íris Abravanel.
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