>"ARAGUAIA" – Balanço da primeira semana

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(Felipe Brandão)

Em sua primeira semana no ar, Araguaia apresentou uma trama até certo ponto interessante, atuações que variaram do bom ao ótimo, belas (embora excessivas) paisagens naturais, diálogos inteligentes, bem trabalhados e personagens carismáticos. Diante de um quadro assim agradável, ficou faltando aquele “plus” que toda novela precisa ter para não somente manter o telespectador diante da TV, mas motivá-lo a interromper suas atividades e sintonizar o aparelho diariamente naquele mesmo horário, naquele mesmo canal.
É esse o grande problema da nova atração das seis: a falta de diferenciais de peso. Exceto por, como exemplo, o pano de fundo da maldição indígena, que soou bastante original, tudo o que se vê em Araguaia é muito conhecido do público, já não gera impacto ou curiosidade. Pode-se dizer que tais características são um tanto esperadas de novelas rurais; mas, até agora, o folhetim de Wálther Negrão não deu sinais do mesmo carisma de outros produtos do gênero, como Cabocla (2004).
Apesar da presença de poucos atores de peso do casting da Globo, em contrabalança a muitos novatos, o elenco de Araguaia é muito acertado. Lima Duarte está soberbo na pele de Max Martinez, um vilão humanizado, mas nada inocente. As participações de Regina Duarte e Edson Celulari conferiram brilho especial a esses primeiros capítulos. Destaque ainda para Júlia Lemmertz (Amélia), Otávio Augusto (Padre Emílio), Thaís Garayp (Terê Tenório), Suzana Pires (Janaína), Mariana Rios (Nancy) e o estreante Raphael Viana (Frederico).
Na contrapartida, Milena Toscano e Cleo Pires estão precisando se afiar mais nos papéis respectivos de mocinha e vilã da trama. Milena é uma boa atriz, mas ainda não convenceu como a geniosa Manuela. Tal desacerto prejudicou até suas cenas de romance com Murilo Rosa (Solano), as quais, embora muito bem roteirizadas, não renderam a química esperada. Já Cleo tem carecido de expressividade, insossa que está como a misteriosa Estela.
O início de Araguaia deixou clara a necessidade de equilibrar o lado artístico e comercial da produção, visando atingir um público mais amplo sem detrimento da qualidade. É uma tarefa a ser aplicada por Wálther Negrão ao longo dos próximos, digamos, seis ou sete meses em que a novela permanecerá no ar.
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