>"QUASE ANJOS – 2ª Temporada" – Resenha final da novela da Band

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Emilia Attias, Nicolás Vázquez e os Teen Angels protagonizam
Quase Anjos, que se encerra esta sexta na Band


(Felipe Brandão)

A novela argentina Quase Anjos começou sua transmissão no Brasil de forma peculiar. A Band optou por ignorar todo o primeiro ano da atração (que consta de 166 episódios) e iniciá-la quase diretamente da segunda temporada, precedida apenas por um “prólogo” de 2 capítulos da história antecedente. Depois de quase um ano de rebuliços na telinha e nos bastidores, Quase Anjos 2 (Casi Ángeles 2, Argentina, 2008) chega ao fim nesta sexta-feira, dia 24, totalizando 162 capítulos e deixando um gostinho de quero-mais nos fãs ansiosos tanto pelas fases futuras quanto pela primeira, que a Band, pese sua qualidade, insiste em manter “oculta” (leia a resenha do Além do Entretenimento sobre a primeira temporada de Quase Anjos aqui).
Esta fase do programa se destacou por um roteiro bem mais equilibrado que no primeiro ano. Se em 2007 o roteirista Leandro Calderone investiu pesado no melodrama, na adrenalina e na violência, visando atrair a audiência jovem e familiar, aqui tivemos um desenvolvimento mais lento das premissas, típico das novelas –porém temperado com muita inovação. Esta temporada de Quase Anjos lançou mão de ingredientes raros nos folhetins, sobretudo juvenis, como o misticismo, o realismo fantástico, o suspense e mesmo o terror. Em lugar do tom carregado de outrora, Calderone dosou melhor a violência e deu preferência à comédia, deixando a novela mais alegre e agradável, embora já não tão emocionante.
Outro ponto alto, senão o maior deles, foi a estrutura de série que os episódios inauguraram. Cada capítulo possuía um título específico, que definia o pano-de-fundo comum a todas as situações apresentadas naquele dia – gerando uma intratextualidade nunca antes testada no gênero telenovela. A presença da intertextualidade também foi forte, com referências a clássicos infantis como Aladim e O Rei Leão, e a hits musicais dos anos 80/90, como One Way or Another (Blondie) e Don’t Let me Down (Beatles). Diálogos com seriados americanos da última moda, como Lost, Heroes e Supernatural, também puderam ser notados no roteiro. Tudo isso conferiu um lado mais cult a este trabalho de Cris Morena, especialista em produções que, embora exitosas, costumam ser excessivamente comerciais e até repetitivas.
Por outro lado, o superfoco no vanguardismo acabou levando a segundo plano outro aspecto relevante: o enredo! A história da novela foi um tanto pobre este ano, sobretudo em comparação ao anterior, quando as premissas eram muitas e tinham tanto apelo emocional. Pode-se dizer que todas as tramas que se destacaram em Quase Anjos 1 acabaram se perdendo na segunda parte. É o caso do romance adolescente entre Mar (Mariana Espósito) e Thiago (Juan Pedro Lanzani), que, com a presença do novo galã frígido Simon (Pablo Martínez), foi um eterno chove-não-molha. O triângulo não foi de todo ruim, teve até bons momentos, mas não escapa de ser uma tremenda decepção para quem os acompanhou na primeira temporada. Tal defeito se estende aos protagonistas adultos, Cielo (Emilia Attias) e Nícolas (Nicolás Vázquez), que começaram a temporada com temas fortes, mas logo decaíram na falta de criatividade e beiraram a mais enfadonha coadjuvância.
Outro problema se deu na repetitividade de alguns argumentos. O típico drama de paternidade envolvendo Thiago, sua mãe Kendra (Celina Font), seu pai de criação Bartolomeu (Alejo García Pintos) e o pai biológico, o vilão João Cruz (Mariano Torre), foi similaríssimo ao que houve em 2007 entre Cristiano (Tomás Ross), Carla (Lucrecia Blanco), Nico e Marcos (Lucas Ferraro). A redenção de Justina (Julia Calvo), que de vilã soturna e sanguinária passou a uma mulher generosa e arrependida, soou como reprise da transformação do caráter de Malvina (Gimena Accardi) na primeira fase. Por fim, o mote dos triângulos Mar-Thiago-Simon e Cielo-Nico-Salvador (Nicolás Pauls), em uma mesma temporada, foi quase o mesmo: dois melhores amigos que disputam a mesma mulher.
Com tanto equívoco nos enredos centrais, durante boa parte do tempo Quase Anjos 2 se sustentou nas tramas paralelas. As peripécias e o amor de Rama (Gastón Dalmau) e Valéria (Rocío Igarzábal) geraram grandes momentos de tensão e romantismo, por vezes sobressaindo-se à enrolação de Mar com Thiago e ao pastelão de Nico, Cielo e Salvador. Foram acertos ainda: a relação entre o esnobe riquinho Márcio (Agustín Sierra) e a atrapalhada caipira Caridade (Daniela Aita), ao melhor estilo “comédia romântica”; a transformação de Tato (Nicolás Riera) em Anjo Vermelho para conquistar o coração da esquiva Jasmim (María Eugenia Suárez); e os conflitos familiares de Simon e Melody (María del Cerro). Infelizmente a maior parte dessas premissas foi se perdendo à medida que se aproximava a reta final, principalmente a de Rama e Valéria, que perdeu muito o sentido depois que eles começaram a namorar.
Contudo, é importante ressaltar que esses fatores, embora tenham influenciado, não afetaram de forma definitiva a qualidade de Quase Anjos, que permaneceu uma novela ágil, emotiva e interessante em praticamente todos os capítulos, quase sem barrigas (coisa rara mesmo nas tramas brasileiras).
O elenco correspondeu às expectativas. Novamente Julia Calvo arrasou nos papeis da amargurada Justina e de sua prima-sósia, a bondosa Felicidade. Gimena Accardi não foi mal como Malvina, apenas poderia ter rendido muito mais se seu papel não estivesse quase reduzido à figuração. A maior parte dos atores juvenis, mesmo os que começaram “verdes” no programa, evoluiu bastante – principalmente Juan Pedro Lanzani, que arrasou nas cenas dramáticas de Thiago. Destaque para Daniela Aita, atriz estreante que interpretou Caridade com competência de veterana; e para Pablo Martínez, o qual marcou como Simon, não só por seu talento e beleza, mas também pelo personagem, cheio de conflitos e matizes. Emilia Attias, David Masajnik (Charles), Mariana Espósito, Agustín Sierra e Nicolás Riera completam os melhores desempenhos de 2008.
Quase Anjos 2 encerra sua trajetória como uma novela agradável e interessante, provavelmente uma das produções mais bem-feitas de Cris Morena, que pecou muito mais por seus atribulados bastidores na Band do que por qualquer equívoco “legítimo”.
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2 Responses to >"QUASE ANJOS – 2ª Temporada" – Resenha final da novela da Band

  1. Aleks says:

    >Olá, escrevo para parabenizá-los pelo blog, que é muito interessante e também para pedir autorização de uso das resenhas publicadas por Felipe Brandão acerca da telenovela Quase anjos, já que em breve postarei a sinopse da trama em meu blog TELENOVELEIROS e gostaria de incluir alguns comentários, claro que citarei devidamente sua colaboração. Aproveito a oportunidade para sugerir uma parceria/troca de links para divulgação de ambos os blogs. Aguardo uma resposta o quanto antes. Obrigado e novamente parabéns.Meu blog: http://telenoveleiros.blogspot.com/

  2. >Olá, Aleks, ficamos, eu e a equipe do blog, mto gratos com seus elogios. Podemos conversar sobre a parceria, mas desde jah quero expressar q tenho mto interesse nela. Escreva para alemdoentretenimento@gmail.com para acertarmos td. E, com certeza, te damos a liberdade para reproduzir as partes q necessitar das resenhas de Quase Anjos 1 e 2 no seu blog. Abraços e fica com Deus! Nos falamos.

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