>Crítica: "TRON, O LEGADO" ("Tron, Legacy", Disney, 2010)

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(Ana Paula Fanucchi)

A decisão da Disney de produzir a sequência do aclamado Tron – Uma Odisseia Eletrônica, que foi uma grande surpresa em 1982 por usar técnicas inéditas e amplas de computação gráfica, tinha tudo para ser uma grande ideia, que renderia milhões para o estúdio. Mas não foi bem assim. Talvez pela inexperiência do cineasta contratado, Joseph Kosinski – que, até Tron, só havia produzido curtas e comerciais –, o enredo e o roteiro do filme deixaram muito a desejar.

Logo no começo vemos a causa da personalidade rebelde de um dos personagens principais, Sam Flynn (Garrett Hedlund, Eragon), cujo pai, Kevin Flynn (Jeff Bridges, Coração Louco), a quem tinha como herói, desaparece sem nenhuma explicação e deixa uma lacuna impreenchível na criação do rapaz. Aos 27 anos, Sam descobre uma pista do paradeiro de Kevin e, empenhado em encontrá-lo, acaba indo parar na fabulosa Grade, realidade virtual onde seu pai esteve preso nas últimas duas décadas. Quando Sam entra na Grade e reencontra Kevin, começa toda uma aventura para tornar ao mundo real e levar o pai consigo.

A história é totalmente previsível, pouco empolgante e cansativa. Apesar de os atores fazerem o que podem, não conseguem transmitir nenhuma emoção ao publico. Como se não bastasse o roteiro, o filme também perde ao não utilizar devidamente o 3D. Em um longa que pede tanto a tecnologia, ela só é utilizada em algumas cenas, sendo as demais em 2D.

O que realmente salva o projeto é a qualidade visual e os efeitos. Nem é preciso comentar que os efeitos de luzes dos veículos e todo o figurino são espetaculares. Outro elemento impressionante é a criação de Clu. O vilão da história, resultado de um processo de rejuvenescimento digital do ator Jeff Bridges, realmente parece um ser humano; se o roteiro não deixasse claro que se trata de um personagem digital, ninguém teria percebido, tamanha a perfeição. Destaque ainda para a trilha sonora maravilhosa de Daft Punk, que faz com que o longa ganhe um pouco de empolgação.

Tron parecia ser o grande filme do ano de 2010, mas frustrou muitos que puseram expectativas no projeto. A intenção da Disney de fazer continuações está clara no desfecho de O Legado – mas é melhor repensar a contratação do roteirista.
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