>"RAFAELA" (Televisa, México) – Comentários do primeiro capítulo

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(Felipe Brandão)

Uma estreia que, confesso, surpreendeu-me. Apesar da sinopse simploríssima e manjada – típica dos originais de Delia Fiallo (Esmeralda, O Privilégio de Amar) –, Rafaela se valeu de detalhes no roteiro, no elenco, na produção que acabaram por fazer a diferença, conferindo charme a uma novela que, em outras condições, pouco teria a oferecer por atrativos.
O capítulo não careceu de ação em nenhum momento, além de garantir algumas surpresas. Girou todo em torno da protagonista, suas características, conflitos e segredos, apresentados de forma gradual: Rafaela, que começa uma moça doce, generosa e de boa índole, vai adquirindo um caráter mais sério e obstinado, até sofrer uma virada na metade do episódio, revelando o orgulho e o rancor por trás de suas ambições profissionais – tudo isso sem “ferir” o estigma de mocinha; ao contrário, reforçando-o. Um perfil marcante, que caiu como uma luva ao carisma, naturalidade e beleza da atriz venezuelana Scarlet Ortiz, aqui conhecida como a heroína de Alma Indomável (CNT).
O foco na personagem-título não opacou o restante do elenco, dando margem a certas atuações promissoras, e outras nem tanto. Rogelio Guerra saiu-se bem como Rafael de la Vega, o pai desnaturado de Rafaela, apesar de aparentar idade demais para quem teve, em plena idade universitária, uma filha hoje tão jovem. Arleth Terán casou beleza e naturalidade na pele da futura vilã Ileana. Destacaram-se ainda Ilean Almaguer – como Alicia, a apagada filha legítima de Rafael – e a comediante Sheyla – impagável como a indiscreta enfermeira Amanda, com ares de quem será o “carro-chefe” da comédia no enredo.

Jorge Poza: galã não agradou
na estreia de Rafaela

 Na contrapartida, Jorge Poza ainda não mostrou a que veio como o mulherengo médico José María, galã de Rafaela. O capítulo também careceu de uma participação maior da grande atriz Diana Bracho, cuja personagem Morelia deverá ser a principal antagonista da trama.

Em termos técnicos, há mais a elogiar do que a criticar. Os cenários são muito bons, convincentes e bem-decorados. Os figurinos, em sua maioria muito propícios aos perfis que “vestem”, e mesmo bonitos. As tomadas na vila carente onde Rafaela vive com a mãe, Caridad (Patricia Reyes Spíndola), e os irmãos poderiam ter até sido visualmente desagradáveis, não fosse a competência da fotografia e a qualidade da imagem, que enquadrou e valorizou as paisagens naturais do lugar.
Por fim, se existiram defeitos que ressaltar, estes ficaram por conta dos exageros típicos das tramas mexicanas que acabaram persistindo em um quadro tão equilibrado. Por exemplo, o modo absurdamente grosseiro com que José María tratou Rafaela na primeira cena do casal, e o momento em que Braulio (Manuel Valdés), o padrasto alcoólatra da moça, estraga sua festa de recepção.
E você, leitor do Além do Entretenimento, o que espera de Rafaela pelos próximos capítulos? Comente conosco!
Em breve, a resenha da primeira semana completa de ”Rafaela”. Aguarde!
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