>"RAFAELA" – Balanço da primeira semana

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A ótima Scarlet Ortiz no papel de Rafaela

(Felipe Brandão)

Quem leu a resenha do primeiro capítulo de Rafaela – nova trama que a mexicana Televisa estreou no último dia 31 (segunda-feira) – viu claramente a minha surpresa ao encontrar tanta qualidade em uma novela de que esperava nada além do “mais do mesmo”. Assistir aos demais capítulos que se seguiram nessa primeira semana só fez reforçar a boa opinião que tive da nova produção de Natalie Lartilleux (Inocente de Ti, Peregrina): não apenas lhe sobram atrativos, como já me arrisco a prever que será uma das melhores atrações da Televisa neste ano de 2011.
O roteiro é espetacularmente bem-amarrado, além de recheado de conflitos, tensões e boas surpresas. Chama a atenção também uma certa humanização do perfil dos personagens, menos rotulado de “mocinhos” e “vilões” do que se costuma ver nas novelas mexicanas. Destaque para a mocinha, Rafaela, mulher de personalidade marcante e controversa, cujas nuances são representadas por Scarlet Ortiz com uma competência e um carisma ímpares.
Claro que há também os casos opostos. O galã José María soa um tanto estereotipado em sua pose de misógino, orgulhoso e empedernido. A atuação de Jorge Poza também não está à altura do brilho de Scarlet, ainda que seja até engolível. Por outro lado, o casal principal tem uma relação interessantíssima, conduzida de forma dinâmica e ao mesmo tempo séria, indo além do típico clichê “tapas e beijos”. Aliás, mesmo a caricatura ao redor de José María e seu poder de sedução não é de todo um equívoco, se considerarmos que os autores, inteligentemente, vem aproveitando seu potencial para o lado cômico da novela, em cenas protagonizadas pela impagável enfermeira Amanda (Sheyla Tadeo).
Outro núcleo que concentra atrativos é o da família de Rafaela, formada por sua mãe Caridad (Patricia Reyes Spíndola) e os cinco irmãos da jovem. Todos têm perfis críveis, interessantes e bem-delineados, e cada um, mesmo as crianças, tem características e conflitos próprios a ressaltar. O destaque fica por conta de Belén (Evelyn Cedeño), irmã adolescente de Rafaela que passa por maus bocados ao ser assediada pelo padrasto, Braulio (Manuel Valdés).
Em termos técnicos, Rafaela tem uma produção invejável dentro dos parâmetros da Televisa. Os cenários são excelentes, sobretudo os do hospital onde convivem os protagonistas. A fotografia também não faz feio, mesmo quando retrata o lugar humilde em que vive a família Martínez.
Chama a atenção, porém, a fidelidade ao texto original ser tamanha a ponto de prejudicar a verossimilhança do enredo. É estranho, por exemplo, o preconceito sofrido por Rafaela por ser uma médica mulher, ou o tormento de Rafael de la Vega quanto à heroína ser de fato ou não sua filha, quando um teste de DNA resolveria facilmente a questão. Ambas as situações condizem com a época em que foi originalmente escrita a novela (1977), mas soam falsas dentro da realidade do século XXI.
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