>"ESPOSA DE MENTIRINHA" – Só rindo!

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(Felipe Brandão)

Famoso por comédias rasgadas como Billy Madison – O Herdeiro Bobalhão (1995) e A Herança de Mr. Deeds (2002), Adam Sandler atinge o ápice do gênero em que se especializou com Esposa de Mentirinha (Just Go with It, Estados Unidos, 2011) – do qual, não por acaso, também é roteirista e produtor. Nisso muito contribui sua parceira de cena, a versátil Jennifer Aniston, capaz de transitar entre o romantismo e o humor diante do público com ímpar facilidade. Esposa de Mentirinha é um filme que faz rir, gargalhar, como poucos. Talvez, justamente, à sua escancarada falta de noção.
A história gira em torno de Danny Maccabee (Sandler), um cirurgião plástico bem-sucedido, irreverente e mulherengo. Tudo muda, porém, quando ele conhecer Palmer (Brooklyn Decker), uma belíssima professora primária por quem se apaixona instantaneamente. Um malentendido, porém, faz Palmer acreditar que Danny é casado!

Sem ter como desfazer o engano, o cirurgião inventa uma falsa esposa, de quem estaria se divorciando, representada por quem ninguém menos que Katherine Murphy (Aniston), sua secretária solteirona e mãe de duas crianças travessas. As mentiras vão aumentando, levando os rebentos de Katherine, Maggie (Bailee Madison, Ponte para Terabítia) e Michael (Griffin Gluck), a participarem da farsa e culminando uma indefinível viagem ao Havaí, que virará o jogo para todos os personagens.

Durante uma primeira parte, o filme fisga de jeito o público, com diálogos engraçadíssimos, detalhes muito bem sacados e personagens divertidos. Destaque para as cenas de “banho de loja” que antecedem a transformação de Katherine, de coroa desengonçada em mulher madura e atlética, remetendo um pouco ao clássico Uma Linda Mulher (1990). A partir de certo ponto, a carga no estereótipo de personagens como Palmer, Maggie e Eddie (Nick Swardson) – primo de Danny que se faz passar pelo amante de Katherine – desemboca em acontecimentos ultraescrachados e até mesmo absurdos, rompendo todo compromisso com a verossimilhança e priorizando o provocar risos ao ser convincente.
Durante a fatídica passagem pelo Havaí, Katherine reencontra Devlim Adams (Nicole Kidman, nunca antes tão cômica), mulher esnobe e orgulhosa com quem rivalizava na faculdade. Crente de que, conhecendo sua atual situação, Devlim sairia por cima mais uma vez, agora é Katherine quem obriga Danny a forjar ser seu marido rico e atencioso. A competição entre Katherine e Devlim é responsável pelos momentos mais engraçados e mais românticos da saga. O desfecho, contudo, deixa a desejar, abrupto e ineficiente que é.
Os exageros de Esposa de Mentirinha não comprometem a diversão do público, que, perdendo-se em gargalhadas com as maluquices de Danny Maccabee e sua turma, mal tem tempo de avaliar o absurdo contexto em que acontecem. Um filme sem qualquer pretensão, além de fazer rir – e muito!
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