>"LA FUERZA DEL DESTINO" – Densa e emotiva… mas inovadora?

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Sandra Echeverría e David Zepeda são os protagonistas de La
Fuerza del Destino – só que não aparecem no primeiro capítulo

(Felipe Brandão)

La Fuerza del Destino estreou no México nesta segunda (dia 14), com a promessa de dar continuidade à linha “telenovela de vanguarda”, inaugurada com As Tontas Não Vão ao Céu (2007) e Camaleões (2009): folhetins que buscam a inovação, sem fugir aos elementos tradicionais. À diferença de suas duas precursoras – a primeira, uma comédia romântica que discutia o valor da mulher; a segunda, uma aventura policial adolescente, cheia de enigmas e personagens controversos –, a nova produção de Rosy Ocampo investe em um enredo denso, melodramático e carregado de clichês.
A história apresentada no primeiro capítulo, a bem da verdade, pouco teve de vanguardista: filhos ilegítimos, famílias ricas e conflitantes, contraste marcante entre riqueza e pobreza. O trabalho em equipe, porém, garante seu grande diferencial. O esmero presente em cada aspecto – texto, direção, cenografia, sonoplastia, elenco – resultou em um início belo, ágil, emotivo e instigante.
O maior destaque ficou por conta das cenas de Leticia Calderón (Esmeralda), como a ingênua Alicia, e do núcleo preadolescente, encabeçado por Adriano Zendejas como Iván – que, na segunda fase da novela, será vivido por David Zepeda (Acorrentada). As cenas que enunciam o triângulo amoroso entre Iván, Maripaz (Ilse Zamarripa / Laisha Wilkins) e Lucía (Renata Notni / Sandra Echeverría) marcam pelo misto de lirismo e tensão em que envolvem os futuros protagonistas. Chega a lembrar a primeira fase do filme Grandes Esperanças (EUA, 1998), de Alfonso Cuarón, quando os personagens de Gwyneth Paltrow e Ethan Hawke ainda não cresceram.
Interessante o recurso de intervir na ação com cenas do futuro dos personagens, já adultos, numa espécie de “flashback às avessas”. Além de ser novidade, serviu para, de alguma forma, suprir a falta dos atores principais na estreia; por outro lado, soou estranho e um tanto aleatório, uma vez que as inserções não complementavam diretamente a ação interrompida.
No elenco, foi forte a presença da Delia Casanova, como a ora afável, ora imponente matriarca Carlota, e da sempre carismática Leticia Perdigón, mesmo esta tendo aparecido pouco. Juan Ferrara, Alejandro Tommasi e Lucero Lander também se destacaram, mesmo caso da menina Ilse Zamarripa, que interpretou com perfeição a ironia e a morbidez precoces do caráter de Maripaz. O único que não convenceu foi ver Rosa María Bianchi (Lucrecia) em um papel bem mais jovem do que a atriz, de mãe de duas meninas pequenas.

Em suma, gostei de La Fuerza del Destino, e até fiquei com vontade de continuar assistindo. Acredito que os exageros da sinopse poderão ser compensados pela qualidade com que se vem produzindo a trama. O pontapé inicial foi muito bem dado; resta saber o que os próximos passos nos reservam…
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