>"CASABLANCA" – Resenha do filme

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(Thiago Fetter)

Tive a oportunidade de reassistir a esse clássico maravilhoso recentemente. Talvez tudo o que se possa dizer de Casablanca (Estados Unidos, 1942) já tenha sido dito. Talvez. Mesmo assim, prefiro correr o risco de chover no molhado ao risco de deixar de elogiar essa obraprima.
Humphrey Bogart e Ingrid Bergman formam aqui um dos casais mais belos da História do cinema. Importante notar que, talvez ao contrário do que muito se comenta, o personagem do Bogart, Rick Blaine, não é apenas um cínico inescrupuloso. Com um passado de lutas por ideais (militou na Espanha, ao lado dos revolucionários, conforme dito no filme), ele parece ter abdicado de tudo pra viver uma vida de dono de bar descompromissado, após uma grande decepção amorosa. Subsistem, contudo, lampejos do grande homem que Blaine foi no passado, como quando Ugarte chega com os salvo-condutos e ele prefere se arriscar guardando as cartas.
Esse grande homem que é “ressuscitado” de uma hora pra outra, quando Ilsa (Ingrid) entra em seu bar. De tantos bares em Casablanca, de tantas cidades no mundo, ela entra justo ali, no Rick’s. Sua passagem de um homem duro, curtido pela dor, a romântico apaixonado é apenas uma das metamorfoses que vemos na película.
Aos poucos o filme vai recriando o clima daquela cidade, que se transformou num ponto de partida multicultural e multiétnico (o que não era tão comum nos anos 40) para quem se refugiava da Segunda Guerra na América. Por falar em clima, jamais assista à versão colorizada da película – ela foi feita em preto e branco, para ser vista em preto e branco.
Contribui para a grandiosidade de Casablanca o fato de o roteiro não ser óbvio em momento algum. Os personagens passam longe de estereótipos (com exceção talvez do major alemão), veem-se crimes cometidos por quem não é bandido e homens inescrupulosos tomando atitudes de caráter.
Além de tudo, tem a beleza da Ingrid Bergman. Não, ela é muito mais que isso, ela está encantadora no filme… Seu olhar na cena final é de sensibilizar o mais duro dos espectadores.
Fica a sugestão para quem gosta dos clássicos (que reassista), e para quem tem curiosidade em conhecê-los (que assista). Casablanca emociona sempre, e sempre ao terminar nos deixa refletindo sobre nós mesmos, sobre o ser humano, sobre nosso papel neste planetinha escondido neste cantinho do Universo, sobre o que somos e sobre o que deveríamos ser.
Fascinante.
Thiago Fetter da Silva é o mais novo colunista e colaborador do Além do Entretenimento. Advogado de profissão e cinéfilo apaixonado nas horas vagas, tem uma visão crítica e apurada dos filmes a que assiste  com predileção confessa pelos clássicos. Entre os cineastas favoritos de Thiago, estão Stanley Kubrick (O Iluminado), Sergio Leone (Por um Punhado de Dólares) e Martin Scorsese (O Aviador).
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