>"MORDE E ASSOPRA" – Balanço da primeira semana

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Marcos Pasquim, como Ábner, é um dos destaques
de Morde e Assopra (e de sua própria carreira)

(Felipe Brandão)

As boas surpresas da estreia de Morde e Assopra tiveram sequência no restante da semana. A trama de Walcyr Carrasco revelou-se mais pungente, emocionante e divertida a cada episódio e, me arrisco a dizer, tem tudo para ser mais um grande trabalho do autor de O Cravo e a Rosa (2000) e Caras e Bocas (2009).
Comecemos pelo elenco. Acostumado a desempenhos médios, Marcos Pasquim me chama a atenção pela primeira vez desde Uga Uga (2000) no atual papel de Ábner. O ator lhe imprime o sotaque caipira e o tom atrapalhado sem forçar a barra, e faz bonito até no lado romântico. Aliás, seu par com Adriana Esteves está explosivo, já é claro que será um dos destaques da trama.
Vale destacar também as atuações de Vanessa Giácomo (Celeste), muito bem em sua primeira antagonista; Carol Castro, natural e convincente como a meiga e ingênua Natália; André Bankoff (Tiago), Rodrigo Hilbert (Fernando), Bárbara Paz (Virgínia), Paulo Vilhena (Cristiano), Jandira Martini (Salomé), Miwa Yanagizawa (Tieko) e a estreante Gabriela Carneiro da Cunha (Raquel).
Morde e Assopra também prima pelo enredo. A odisseia do cientista Ícaro (Mateus Solano, cativante como nunca) por construir Naomi (Flávia Alessandra), um robô homônimo e idêntico à sua (supostamente) falecida esposa, centralizou as atenções durante esta primeira semana, não apenas pelo inusitado da história, mas pela emotividade, misto de melancolia, romantismo e mistério que dela emana. A equipe técnica tem parte nisso, visto a brilhante caracterização de Flávia Alessandra como “robô humano”, apesar de a atuação da atriz ainda me parecer mediana.
Nas tramas paralelas, cabe ressaltar a protagonizada por Cássia Kiss, em perfeito equilíbrio de caracterização e arte dramática como a humilde e abnegada Dulce. Ela custeou com dificuldade os estudos do filho, Guilherme (Klébber Toledo), na capital, sem saber que ele gastava tudo em ferras e jamais pisou numa universidade. Conflito denso, desenlace previsível, mas fatal, com todo o potencial para levar o público às lágrimas – e a audiência às alturas.
Como em todo trabalho de Walcyr Carrasco, o humor pastelão está presente em Morde e Assopra. Cenas como as da família de Ábner, as confusões do núcleo interiorano e também as sequências do spa tem garantido ótimos momentos de riso para o público. Um núcleo eficaz, que aparentemente dispensa ajustes e deverá apenas manter seu ritmo na continuidade.
Em termos de equívocos, penso ter havido apenas algum exagero na carga de mistérios apresentados. Parte dos capítulos buscou atiçar a curiosidade do público com o desaparecimento do filho do prefeito Isaías (Ary Fontoura), a possibilidade sutilíssima de a verdadeira Naomi estar viva, a chegada do novo padre de Preciosa e a identidade da noiva de Oseias (Luís Melo). O mistério do sacerdote católico solucionou-se logo, com a aparição do padre Francisco (Erom Cordeiro), mas as demais indagações perduram indefinidamente. Há necessidade de investir tanto em um mesmo ingrediente?
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